Escrever um blog extemporâneo tem algumas vantagens. Torna possível começarmos do final. Isso significa contar como foi viver cada etapa do Caminho de Santiago em bicicleta a partir de uma visão do conjunto de todas elas e saboreando com mais calma cada lembrança que fica dessa experiência tão rica e tão única.
É claro que é difícil descrever exatamente o que é fazer o Caminho. E mais difícil ainda é conseguir fazer quem lê estas palavras vivevenciar o que é a emoção de partir com um destino e se deixar guiar pelo próprio Caminho, com suas setas amarelas a confortar cada uma de nossas escolhas em cada uma das muitas encruzilhadas.
Sinceramente, começo a achar que o Caminho de Santiago é uma grande metáfora para o paradoxo da nossa própria existência. Temos um destino... Há vários sinais que nos indicam por onde seguir... E a certerza de que chegaremos onde temos que chegar é apenas a esperança e a fé que depositamos nos pequenos sinais.
E esses pequenos sinais estão em todos os lugares, o tempo todo. Funcionam como um imã poderoso que atrai cada passo. São bençãos que tranquilizam a alma e dão firmeza ao caminhar. Se erramos o caminho é porque deixamos de dar atenção aos sinais. E se estamos longe do que somos... O motivo é exatamente o mesmo.
Quero falar um pouco mais sobre o Caminho. Quero mostrar algumas coisas que vi. Quero compartilhar algumas coisas que senti. Quero também ajudar, com algumas dicas, os que pretendem fazê-lo de bicicleta. Essa é a razão de existir este blog: permitir que o Caminho continue fazendo parte do meu caminho.
