sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Setas Amarelas



Escrever um blog extemporâneo tem algumas vantagens. Torna possível começarmos do final. Isso significa contar como foi viver cada etapa do Caminho de Santiago em bicicleta a partir de uma visão do conjunto de todas elas e saboreando com mais calma cada lembrança que fica dessa experiência tão rica e tão única.

É claro que é difícil descrever exatamente o que é fazer o Caminho. E mais difícil ainda é conseguir fazer quem lê estas palavras vivevenciar o que é a emoção de partir com um destino e se deixar guiar pelo próprio Caminho, com suas setas amarelas a confortar cada uma de nossas escolhas em cada uma das muitas encruzilhadas.


Sinceramente, começo a achar que o Caminho de Santiago é uma grande metáfora para o paradoxo da nossa própria existência. Temos um destino... Há vários sinais que nos indicam por onde seguir... E a certerza de que chegaremos onde temos que chegar é apenas a esperança e a fé que depositamos nos pequenos sinais.

E esses pequenos sinais estão em todos os lugares, o tempo todo. Funcionam como um imã poderoso que atrai cada passo. São bençãos que tranquilizam a alma e dão firmeza ao caminhar. Se erramos o caminho é porque deixamos de dar atenção aos sinais. E se estamos longe do que somos... O motivo é exatamente o mesmo.

Quero falar um pouco mais sobre o Caminho. Quero mostrar algumas coisas que vi. Quero compartilhar algumas coisas que senti. Quero também ajudar, com algumas dicas, os que pretendem fazê-lo de bicicleta. Essa é a razão de existir este blog: permitir que o Caminho continue fazendo parte do meu caminho.